27 de mai. de 2020

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Rudá: uma breve história.

Eu Augusto Rudá Sales Wanderley, nasci em janeiro de 1990, no hospital Municipal de Monte Alegre. Sou pinta cuia raiz. Sempre fui muito amado então tenho certeza que neste dia fiz minha família muito feliz. E falando em família, eu também sou descendente de personalidades conhecidas desta terra. Vou colocar abaixo algumas fotos, quem sabe você não conhece algum deles?

Finado vô Gereba / Vovó Olivina / Carlos e minha mãe Angela
Quem não conheceu o finado Gereba? Dos mais antigos a maioria. Logo, mais montealegrense impossível, ainda mais sendo neto de pescador. Aos treze anos fui convidado a trabalhar com meu avô, na feira do peixe que, na época, era construída em madeira e ficava localizada próximo ao bairro do papagaio. Tempo bom que não volta mais. Saudades eternas!
Minha afinidade com as palavras provavelmente foi herdada das gerações anteriores. A minha avó foi professora e se aposentou como diretora da escola Santa cruz, aqui na serra ocidental. Minha mãe também foi professora, de matemática, lembro dela lecionar na escola Antônio Joaquim Moreira. Hoje, já longe das salas de aula, minha mãe exerce a profissão de formação, de extraordinária competência, a contabilidade. 
Meu pai é engenheiro agrônomo. Não lembro de ter alguma habilidade especial sobre as plantas, mas a engenharia me foi incentivada já no berço. 
Voltando à história, eu estudei em algumas escolas em cidades aqui pela região, mas, basicamente, meu ensino fundamental ocorreu no Colégio Imaculada Conceição. Até hoje tenho contato com colegas que fiz desde a alfabetização. Quanto tempo hein? Naquela época as fotos eram raras. Mas alguns registros existiram. 

Formatura Alfabetização 1996 / Formatura Ens. Fundamental 2004
Obs.: Eu sei que a quadrilha do milharal foi filmada e eu vou atrás desse VHS ;) 

Ainda estudei parte do ensino médio no Colégio Francisco Nobre de Almeida. Foi um ano muito marcante. Eu descobri que existia um laboratório de química na escola, e também entrei para o secreto clube da biblioteca (teve apenas uma reunião de tão secreto). Nesta época eu já não trabalhava mais na feira. Eu havia conseguido um emprego de chapeiro no lanche da vovó. Aqui na família sempre  temos a oportunidade de trabalhar.
Então chega uma descoberta nada animadora. Ao final de 2005, quando enfrentei meu primeiro vestibular, na época o Processo Seletivo Seriado, o extinto PSS da UFPA. Com um desempenho desastroso, apesar do excelente histórico escolar de boas notas, eu jamais teria competitividade em uma disputa contra estudantes da capital. E então a conhecida história se concretizou: Ou nos mudávamos para Belém ou eu não estaria engenheiro hoje. Lamentável, mais ainda hoje as famílias montealegrense passam por isso.
Foram anos difíceis, de privações, inclusive de fome. Porém foi nesta época que comecei minha carreira na produção de mídias que, mais para frente, será de grande importância na minha vida. Você entenderá. A luta para ter acesso a uma vaga na universidade pública foi injusta. Era então o início das cotas e, logo eu, que estudou quase que a vida inteira em escola pública, fiquei de fora e tive que concorrer contra aqueles que durante toda a vida tiveram as melhores oportunidades e ensino. Foi uma dura luta, foi da maneira mais difícil, mas no final, consegui superar as dificuldades. Tenho muito orgulho em ser engenheiro Naval.

Em vistoria Naval
Seguindo a tradição dos nascidos na calha norte fui morar em Manaus a trabalho. Quem nunca? Foram cinco anos em que pude desenvolver minha carreira trabalhando em minha área de formação. Como um engenheiro de uma classificadora de navios lidei com cálculos, números, interpretações de leis e normas, debates com outros engenheiros e proprietários de embarcações. Fiz grandes amigos e tive experiências excepcionais. Foi em Manaus que eu ganhei os dois presentes mais valiosos da minha vida. As minhas filhas Beatriz e Fernanda <3

Não são uns amores?
Hoje em dia tenho o prazer em residir nesta terra que amo. Conheci minha esposa Sabrina que também é pinta cuia e hoje, além de me proporcionar uma família feliz, também caminha comigo nesta luta por mudanças.
Continuo atuando na área da engenharia Naval. Com os conhecimentos adquiridos lá atrás, em 2006, e um pouco de dedicação, adentrei na área da comunicação, onde dou os meus primeiros passos. Mas o que me trouxe aqui mesmo foi a vontade de tornar esta cidade o meu lar, onde eu tenha uma saúde que me atenda quando eu precisar, que as minhas filhas não precisem ir embora quando chegar a época do vestibular e que todos tenhamos empregos aqui mesmo, nesta terra. 

Família unida <3

Um comentário:

  1. Parabéns pelo teu blog, pela dinâmica forma de se auto-apresentar. Não lembro se nos conhecemos, mas coragem, sou da opinião que precisamos renovar a política monte-alegrense. E quando digo renovar, não me refiro a idade, mas na cultura organizacional. Essa visão colonialista que norteia nossa polícia tem que acabar tanto no executivo, quanto no legislativo. Que outros jovens capacitados se animem a fazer essa revolução.

    Como sugestão te sugero conhecer a história do Pepe (ex-presidente do Uruguai), Nelson Mandela (ex-presidente do Sul da África) e Barack Obama (ex-presidente dos Estados Unidos)

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